A Revolução Cartesiana

Descartes rompe com o pensamento filosófico de seu tempo, ao trazer a concepção de que o pensar fundamenta o homem, assim, através de seu método, se vê como um ser que duvida e nega, um ser finito e imperfeito, que tem plena consciência do que é. Nessa linha, o filósofo conclui que se ele, mesmo sendo finito e imperfeito, tem plena certeza de sua limitação, isso só pode ocorrer graças a certeza de um ser maior, infinito e perfeito, de onde todo pensamento tem sua origem, Deus.
Mesmo com essa concepção de Deus, proveniente de seu método, o filósofo não rompe com suas raízes matemáticas, ao ponto de, segundo Capra, Descartes trazer a concepção da natureza como máquina perfeita, governada por leis matemáticas exatas, o que funda o pensamento científico. A partir dessas certezas, Descartes passa a desenvolver sua filosofia no dualismo corpo e alma, onde o corpo, assim como a natureza, figura como uma máquina, porém, tendo sido feita por Deus, é mais perfeita que qualquer outra criada pelo homem.
Assim, o mecanicismo proposto por Descartes deixa claro que a causa de seu movimento só pode ser Deus, através de sua alma o homem participa do divino e, como consequência desse dualismo o homem busca garantir seus privilégios transcendentais, bem como a imortalidade da alma.
Se Descartes propõe o corpo como uma máquina, La Mettrie, por sua vez, conclui que o homem é uma máquina, porém, diferente de Descartes seu materialismo tem princípios filosóficos distintos, tendo em vista que desloca o eixo de investigação da mente de seu domínio a priori ou racional para o domínio empírico ou natural. Claramente, La Mettrie rompe com o dualismo mente-corpo de Descartes.

Para Descartes, a causa do movimento do autômato, do homem, é Deus, ao passo que a alma transcende o corpo e guarda uma relação direta com o divino, La Mettrie, diferentemente, entende que existe um princípio que impera sobe todo o corpo, contudo, suas causas não são metafísicas, mas sim fruto do cérebro humano, na origem dos nervos. Enquanto o primeiro crê no dualismo corpo e alma, que dá ao homem o privilégio de esperar por um mundo melhor, o segundo vê no homem sua própria finalidade. Fica claro, que o homem máquina proposto por Descartes guarda diretamente uma relação com a  cultura ocidental.
Toda essa revolução no pensamento, proposta por Descartes, alavancou o homem moderno, baseada nas experimentações e deduções matemáticas, a ciência fez progressos extraordinários, o mundo nunca mais foi o mesmo, ao passo, que as ciências matemáticas se tornaram novo limiar das experiências e conhecimentos humanos.

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