Ciência clássica
O
conhecimento, das verdades do mundo, sempre foi tema da filosofia, desde a
Antiguidade existe a preocupação com o conhecimento da realidade, surgindo em
Platão a dualidade entre realidade e aparência. A revolução cientifica
descobriu novas formas de pesquisa para o conhecimento do mundo, com as descobertas
cientificas do modernismo, inaugura-se uma nova maneira de conhecer o real,
através da matemática, segundo Galileu, a natureza possui leis universais que
funcionam mecanicamente e a matemática é a ciência que pode descrever e
explicar o real.
Nessa linha, o conhecimento empírico
refere-se ao conhecimento adquirido através das sensações e experiências
observadas por nós, a realidade aparente percebida pela mente humana, esse
conhecimento foi denominado de qualidades secundárias dos objetos físicos no
mundo, que são as características aparentes dos objetos físicos baseados em
nossas experiências sensoriais. Considerar
como válido ou não válido esse conhecimento da realidade, é uma polêmica e objeto
de investigação científica, ou seja, é possível que as sensações empíricas, a
aparência que a nossa mente apreende acerca da realidade do mundo correspondam a
sua realidade.
Galileu caracterizou as qualidades
secundárias como conhecimento subjetivo, relativo e variável, o contrário das
propriedades primárias que são objetivas e inerentes aos objetos físicos. Assim,
as qualidades secundárias estão excluídas, na ciência clássica, como fonte de
conhecimento válido, por ser considerada
meros nomes e nada podendo significar, pois existem apenas em nossas
mentes. As qualidades secundárias são
conhecimentos adquiridos a partir de experiências e não podem figurar no domínio
matemático do conhecimento da natureza porque o conhecimento real da natureza
está além da experiência subjetiva, o conhecimento da realidade das coisas no
mundo exige uma ciência capaz de compreender e descrevê-la, tendo em vista que
ela tem uma estrutura caracterizada por qualidades naturais e objetivas e que só
podem ser conhecidas objetivamente pela linguagem matemática.
Paradigmas não
clássicos da ciência
A
ciência atualmente, não clássica, reconhece as transformações e diversidade da natureza
e tem uma visão que inclui a experiência humana como forma de compreender a
realidade. Dentre esses novos paradigmas podemos citar o fenomenalismo e a
complementaridade.
O fenomenalismo utiliza como referência os
fenômenos da natureza, os dados dos sentidos apreendidos na experiência,
consideram que a observação humana dos objetos físicos no mundo, na linguagem
dos dados dos sentidos, sustentam a matéria e a forma de sua realidade e por isso as qualidades
secundárias dos objetos físicos no mundo são importantes para o conhecimento da
realidade.
Já a complementaridade, parte da
descoberta, pela mecânica quântica, do comportamento atômico, que apresenta dois aspectos, onda e partícula, de uma mesma
realidade e, que alguns fenômenos
possuem a propriedade de ser e não ser, sem contudo haver exclusão ou
contradição, mas sim aspectos complementares de uma mesma realidade, a
complementaridade propõe a visão de uma realidade única do mundo entre dois
aspectos: externos e internos, ou seja, propriedades primárias e qualidades
secundárias dos objetos físicos no mundo, seriam dois aspectos de conhecer a
realidade, pois, se a mente está inserida como objeto físico
real no mundo, as observações
apreendidas por ela significam um aspecto da realidade da qual ela faz parte.
Assim, a ciência atual busca reconciliar a
dualidade realidade e aparência, objetivando estabelecer uma relação entre as
propriedades primárias dos objetos físicos no mundo e as propriedades
secundárias adquiridas pelas experiências sensoriais apreendidas pela
nossa mente, buscando descobrir qual o
lugar que deve ocupar o
conteúdo mental das nossas
experiências no conhecimento da realidade do mundo.
O Fenômeno do
conhecimento
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