O entendimento de
ciência, como nos é explicado hoje, é bem recente, ocorreu no período Moderno
com a gestação da Revolução Científica, que teve seu início no século XVI e se
desenrolou até meados do século XVII.
A Revolução Científica
rompe com um conceito de mundo, que até então se acreditava existir, herança da
visão dos gregos antigos, fazendo surgir um novo modelo de Cosmos, totalmente
oposto à ideia defendida por séculos pelos filósofos, na Antiguidade e, São
Tomas de Aquino, na Idade Média. A partir desse momento, a ideia de ciência passou
a ter um aspecto objetivo, metódico, que uniu experiência e razão e, passou a
usar a quantificação e a linguagem matemática para validar suas praticas.
Aristóteles,
estruturou uma visão de Cosmo que ficou conhecida por mais de dois mil anos,
sem que ninguém contestasse esse método, embora essa visão estivesse
completamente errada. Somente a bem pouco tempo que o Homem deixou de acreditar
no geocentrismo. Para compreendermos melhor, a profundidade do corte que a
Revolução Científica causou no entendimento de mundo que a humanidade tinha até
aquele momento, explicaremos, resumidamente, quais são os conceitos com os
quais ela rompe.

Segundo
Aristóteles, o Universo é um Cosmo, ou seja, ele é um todo ordenado, onde cada
coisa tem o seu lugar apropriado, natural. Ele acreditava que a Terra ocupava o
centro do Universo e, sempre permanecia parada. Partindo desse ponto de vista,
afirmava que a Terra é o núcleo de tudo e que possuía esferas, tal como uma
cebola. A primeira dessas camadas, era a camada lunar, que pelo nome, já diz, era
onde a Lua se situava, depois, na segunda camada vinha Mercúrio, na terceira
Vênus, e na quarta o Sol. Na quinta, sexta e sétima, Marte, Júpiter e Saturno,
só depois dessas camadas é que vinham as “estrelas fixas”, que estavam sempre
no mesmo lugar. Os outros planetas, que compõem o sistema solar, ainda não
tinham sido descobertos nessa época.
A partir desse
sistema, o filósofo explicava todo o movimento do Sol e dos outros planetas,
que era realizado através do giro das esferas que compõem o céu. Essa
explicação do Universo feita por Aristóteles foi desenhada e repetida por
Ptolomeu no século II e recebeu de São Tomás de Aquino, no século XVIII seu
esplendor, onde passou a ser aceita como o modelo de universo criado por Deus.
Felizmente, houve
quem não partilhasse dessa explicação e procurou desmentir tal ideia. Uma
dessas pessoas foi o astrônomo polonês Nicolau Copérnico. Ele refutou as ideias
de Aristóteles dizendo que a Terra não está parada, e que ela também não era o
centro do Universo, para isso, colocou o Sol como centro do Universo, passando
da concepção de geocentrismo para heliocentrismo, segundo o qual a Terra e
todos os demais planetas giram em torno do Sol.
Kepler, foi mais
um dos muitos filósofos que ajudaram a quebrar a visão de mundo de Aristóteles,
ele foi o responsável por destruir o conceito de movimento circular dos astros,
segundo ele, todos os planetas se movem segundo uma órbita elíptica, que tem no
Sol um dos seus focos de atração.
Por tudo isso,
vimos cair por terra à ideia de um Cosmo limitado e perfeitamente ordenado, em
oposição vimos surgir um mundo infinito e homogêneo, um espaço não mais
qualitativo que dependia de uma percepção do sensível. Perdendo esse
entendimento de qualitativo, os corpos passaram a ser explicados mecanicamente,
como uma máquina, onde deixa de existir um centro referencial, como Terra ou
Deus, e o espaço é explicado através da geometria, ou seja, por meio de
gráficos e raciocínio lógico e matemático.
O filosofo natural
responsável pela conclusão dessa concepção revolucionaria, foi Galileu Galilei,
que reafirmou as teorias de Copérnico, inventou instrumentos que possibilitaram
comprovar, em parte, essas teorias, tais como o telescópio, além de colaborar
com o desenvolvimento do método experimental, que pregava a junção entre
experiência e pratica, no qual a matemática passa a ter lugar de destaque. A
partir desse momento, toda investigação humana, não poderia ser considerada
como uma ciência verdadeira se não passasse pelas demonstrações matemáticas.
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